O Olhar
O que de um olhar não for captado, nos lábios não será
encontrado. Pois há verdades silenciosas que apenas os olhos conseguem dizer - verdades
que a boca hesita, que o peito esconde, que a linguagem não alcança.
O olhar
é uma ponte entre almas, onde transita o que não se articula: o medo travestido
de indiferença, o desejo que se esconde por orgulho, a saudade que não ousa se
declarar, o amor que arde em segredo.
Quantas
vezes um olhar sustentado disse mais do que mil palavras? Quantas
reconciliações começaram com um cruzar de olhos? Quantos desencontros nasceram
de um desvio, de um piscar que hesitou?
O olhar
não mente, mesmo quando tenta. Ele carrega nas pupilas a transparência do que
sentimos. É ali, nesse pequeno espelho d’alma, que os sentimentos se despem, mesmo
quando as palavras se vestem de desculpas ou silêncio.
Em
tempos em que tudo grita - vozes, redes, opiniões – o olhar ainda é o último
refúgio do que é íntimo, o gesto sutil de quem ama em silêncio, de quem sofre
sem alarde, de quem esperou demais, mas ainda assim, olha com ternura.
Por
isso, não subestime um olhar. Ele pode conter o começo de tudo - ou o fim. Pode
ser súplica, pode ser adeus. Pode ser amor sem coragem, ou coragem sem
palavras.
E quando, por fim, nada mais puder ser dito, é nos olhos que permanecerá o que de mais verdadeiro já houve.

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