A Espera
Talvez eu tenha nascido
para esperar. Esperar por um amor que se perdeu em algum canto do tempo, que
prometeu voltar, mas nunca o fez. Esperar por um sentido que se esconde nas
entrelinhas de dias vazios, que parece sempre estar a um passo de ser revelado,
mas nunca se deixa alcançar.
Esperar que algo,
qualquer coisa, rompa o silêncio que se instalou em mim como um hóspede
indesejado. Estou me tornando uma ruína, não de pedra, mas de memórias que
insistem em pulsar, habitando os escombros do que fui um dia.
Você me deixou com
perguntas que envelhecem comigo, perguntas que carrego como cicatrizes que
ninguém vê. Elas pesam, enrugam o tempo, mas não desbotam.
Ainda falo com você,
mesmo sabendo que não há resposta do outro lado. É um monólogo que sustenta minha
existência, como se, ao te chamar, eu pudesse enganar o vazio.
Às vezes, sinto que só
existo porque continuo te esperando, como se a espera fosse o último fio que me
prende a algo que já não sei nomear. Houve um tempo em que os dias tinham cor.
Lembro-me de como sua
presença preenchia os espaços, de como seu riso era capaz de apagar qualquer
sombra. Mas então veio o adeus, não dito, mas sentido.
Você partiu sem aviso,
deixando para trás um eco que ainda ressoa em mim. Tento reconstruir o que
aconteceu, mas as peças não se encaixam. Talvez tenha sido minha culpa, talvez
eu tenha lido mal os sinais, ou talvez o amor, como tudo, tenha seu prazo de
validade.
Ainda assim, me pego
revisitando os momentos em que éramos inteiros, buscando neles um motivo para
seguir. A espera se tornou minha companheira mais fiel, mas também minha
carcereira.
Ela me mantém preso a um
passado que não posso mudar e a um futuro que não sei se chegará. Às vezes, nas
noites mais longas, me pergunto se você também carrega algo de mim, se em algum
lugar você também espera, ou se já encontrou o que eu ainda procuro.
Mas essas perguntas, como
todas as outras, ficam sem resposta, girando no vazio como folhas levadas pelo
vento. E, no entanto, continuo. Continuo esperando, porque desistir seria
apagar o pouco que resta de nós.
Continuo falando com
você, mesmo que seja só na minha cabeça, porque é assim que mantenho viva a
parte de mim que ainda acredita.
Talvez um dia a espera
termine, e com ela venha a paz. Ou talvez eu continue sendo essa ruína,
habitada por lembranças que, apesar de tudo, ainda me fazem sentir vivo.
Francisco Silva Sousa

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