Até o Fim
Até o fim - com esta garganta rouca, esgarçada por silêncios que se acumulam como cinzas. Estes olhos líquidos, encharcados por noites inteiras de espera, ainda buscam um horizonte que nunca se formou. São olhos que viram promessas desmoronarem como castelos de areia, que assistiram ao lento apagar das luzes que um dia guiaram seus passos. Até o fim - com estas mãos trêmulas, que já não conseguem segurar as frágeis promessas do passado, mas ainda tateiam memórias com a delicadeza de quem acaricia um pássaro ferido. Mãos que um dia ergueram sonhos, que teceram planos com fios de esperança, agora carregam apenas o peso das coisas que não foram. Até o fim - com estes pés exaustos, feridos de tanto caminhar em círculos, pisando sobre os mesmos erros, as mesmas pedras, os mesmos desertos. Pés que já cruzaram campos de batalha invisíveis, onde cada passo era um ato de resistência contra a desistência. E com estes lábios, costurados ao pé da noite, que guardam palavras como qu...